Higor Porto Montes já gostava de escrever muito antes de sequer pensar em dar aulas. Profissionalmente, já concluía seu primeiro roteiro para cinema antes mesmo de ter entrado numa sala cheia de alunos pela primeira vez. Contudo, tem muito orgulho do trabalho que desenvolve e por diversas vezes já demonstrou sua paixão pela educação ao não largar a profissão em troca de rendimentos mais altos. Aqueles que tiveram a oportunidade de serem seus alunos ou o conhecerem pessoalmente, sabe que ele "não conseguiria ficar mais de uma semana exercendo qualquer outra função, mesmo que esta lhe trouxesse quinhentos porcento de aumento", como diz o próprio.

          Ao longo dos sete anos em que já trabalhou como professor, Higor desenvolveu e pôs em prática dois projetos que visam a formação de leitores através de clássicos da literatura. Tais projetos foram trabalhados tanto em curso particular de línguas, como em escolas públicas da rede estaduais. Confira:

                          

                                                                                           PROJETO "FORMANDO LEITORES ATRAVÉS DOS

         CLÁSSICOS DA LITERATURA MUNDIAL"

          Para o autor e professor Higor Porto Montes, há poucas coisas tão injustas quanto subestimar o potencial dos alunos de escola pública. Para provar sua teoria, Higor, que leciona língua inglesa, não entra nas salas apenas para ensinar a grmática do verbo to be, terminações em terceira pessoa, ou modais, ele desenvolve um projeto que faz alunos de escolas públicas do interior do estado do Rio de Janeiro lerem clássicos - e já colheu frutos! Muitos frutos!

          É simples: o professor distribui aos alunos uma lista com dezenas de clássicos da literatura mundial (que ele próprio deve conhecer bem). Os alunos, divididos em pequenos grupos, escolhem a obra com a qual acreditam que vão ter maior afinidade, leem, e depois apresentam seu enredo e um ensaio sobre seu autor para todo o colégio da maneira mais criativa possível. Nada mais precisa ser dito:

         "Conheci alunos que confessaram jamais terem lido um livro sequer por inteiro. Leram aquele que escolheram simplesmente porque... escolheram! Até o fim do ano letivo, um destes mesmos alunos já havia lido, além do próprio que escolheu, um segundo que conheceu na apresentação de outro grupo e agora já estava lendo o terceiro" - Professor Higor Porto Montes

 

          RESULTADOS OBTIDOS APENAS NO PRIMEIRO ANO DO PROJETO:

         

          => Alguns grupos de alunos vestiram-se com figurinos parecidos com os da história que leram;

          => Houve grupos que encenaram a história lida;

          => Grupos fizeram um roteiro em espécie de jornal para divulgar "ao público" os acontecimentos ocorridos naquela  história;

          => Um grupo que leu uma obra ainda não filmada para cinema, escolheu entre atores e atrizes famosos, aquelesque maiscombinariam com os personagens da história que leram, caso esta virasse um filme;

         => Um dos grupos de alunos mais surpreendentes, levou para sala de aula os "verdadeiros pertences" dos personagens da história (o lenço sujo de sangue de uma das vítimas, o cachimbo do detetive, os ócluos do suspeito).

          => Centenas de cartazes, confeccionados com diferentes tipos de material (destaque para os de puro algodão representando "neve" e uma brochura contendo as pinturas do protagonista, que era pintor dentro da história)

        ALGUNS DEPOIMENTOS

 "Depois de ler o livro Um Momento Inesquecível, viramos fãs do Nicholas (Sparks) " (Luana Soares, Monique Rodrigues, Vanessa Medeiros - alunas do 2º ano do Ensino Médio do C.E. Santa Rita de Cássia, NI, RJ)

       

   "Gostei muito do livro, porque ele fala de superação, força de vontade e do próprio viver. Um homem que consegue vivermais de 20 anos em uma ilha é um exemplo de superação". ( Opinião escrita no roteiro do trabalho sobre o livro Robson Crusoé de Daniel Defoe. )

         "A história é sensacional. Só tivemos dificuldade para lermos as frases em francês. (risos) É uma história que te prende e faz você querer ler cada vez mais. Nunca tínhamos nos imaginado lendo um livro de literatura inglesa, mas foi legal e bem diferente de tudo o que já lemos. Enfim, foi sensaaaaaaaaaaaaaaacional!!!". (Gabriela Moisinho, Thaís Vargas e Tathiane Laranjeiras - alunas do 3º ano do Ensino Médio do C.E.Santa Rita de Cássia - Ni, RJ. - Opinião escrita no roteiro do trabalho sobre o livro Assassinato no Expresso Oriente de Agatha Christie)

 

 

          "Vejo autoridades da área de educação e professores de Literatura e Língua Portuguesa reclamarem que os alunos não conseguem entender construções um pouco mais rebuscadas ou a interpretarem os clássicos de maneira aceitável, mas vejo poucos investimentos e interesse em desenvolver um trabalho para a real formação de um leitor. Um ser humano precisa começar a ler com aquilo que gosta e com uma literatura que está ao seu alcance. Se um aluno somente leu um, três ou dez livros na vida, e mesmo assim porque foi obrigado a fazê-lo para ter de realizar uma prova a respeito daquilo que leu, fica impossível cobrar dele, enquanto ainda adolescente ou jovem, a interpretação de um Machado de Assis, um Guimarães Rosa, entre outros do gênero. Este aluno precisa ler o que ele alcança e o que lhe apetece ler, ou seja, precisa ler por prazer. Se é terror e suspense, tem de ler terror e suspense; se lhe agrada investigações policiais ou enredos melosamente romanticos, aí está o material com o qual ele deve trabalhar; se gosta de aventura, de aventura tem de ser a história! E não adianta tentar pôr em xeque a literariedade ou a qualidade dos livros que se lê numa sala de aula, porque isso é o que menos importa para o aliterado. De que adianta utilizar uma obra altamente conceituada, se o leitor não consegue atingi-la? A literatura é uma via de mão dupla, envolve autor e leitor, ou seja, uma obra considerada de menor qualidade, mas que consiga conquistar um aluno, exerceu muito mais a sua função de Literatura do que a outra. Se uma criança prefere um jogo de computador em vez de ler um certo livro, por que não se criar um jogo onde ele terá de desvendar os mistérios daquela mesma história? É assim que funciona!"

 

 

PROJETO "LITTERAE"

         Através da prática lúdica dos Role-Playing Games (RPG) em sala de aula, Higor criou fichas de personagens inspirados em heróis da Literatura Mundial e os distribuiu - através da escolha de cada um - entre os participantes da atividade. Como se sabe, os RPGs possuem uma mecânica onde os participantes precisam interpretar personagens dentro de uma narrativa criada por um Mestre de jogo (ou narrador). Para que um participante consiga utilizar de todos os recursos que seu personagem possui, ele necessita conhecê-lo bem. Sendo assim, a distribuição é feita com bastante antecedência ao primeiro encontro para que os alunos se familiarizem bem com aquelaa figuras as quais escolheram interpretar. Para tal, o participante busca a leitura dos clássicos onde se encontra o personagem que lhe interessa, além de assistir a filmes e realizar pesquisas na Internet com o mesmo interesse.

          Durante o jogo, todos os particpantes, cada qual com um personagem da Literatura Mundial, interagem entre si, conhecendo e aprendendo cada vez mais sobre o seu próprio e os demais personagens ali presentes. É comum termos participantes que, ao longo dos meses, assistiu filmes e leu adaptações ou mesmo originais de clássicos como Frankenstein (Mary Shelley), O Hobbit (J.R.Tolkien), Harry Potter (J.K.Rowling), Carrie, a estranha (Stephen King), Dom Quixote (Miguel de Cervantes), 20 Mil Léguas submarinas (Júlio Verne), As Minas do Rei Salomão (Henry Haggard), O Médico e o Monstro (R.L.Stevenson), A Bússola Dourada (Philip Pullman), Drácula (Bram Stoker), Robson Crusoé (Daniel Defoe), entre outras como obras de Agatha Christie e Arthur Connan Doyle.

 



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